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Novamente Geografando

Este blog organiza informação relacionada com Geografia... e pode ajudar alunos que às vezes andam por aí "desesperados"!

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PAGAMOS PARA QUE NÃO CORTEM AS ÁRVORES

Mäyjo, 11.07.17

Florestas do Uganda

Um estudo realizado no Uganda e cujos resultados foram publicados esta semana na revista Science, indica que pequenos incentivos financeiros podem ajudar a reduzir o desmatamento para metade, um problema que afecta particularmente os países em desenvolvimento, com graves consequências para as florestas, importantes reservas de carbono (CO2). Segundo os investigadores, esta pode ser também uma forma muito económica de ajudar a atingir as metas do Acordo de Paris.

 

No Uganda, como em outros países em desenvolvimento, a redução da pobreza e os esforços de conservação ambiental coincidem, mas por vezes também podem representar interesses em conflito. É o caso. As florestas do Uganda são o habitat dos chimpanzés em perigo de extinção. Mas entre 2005 e 2011, este país assistiu a uma das mais altas taxas de desmatamento no mundo, com perdas de 2,7% da área florestal por ano. Acontece que cerca de 70% das florestas estão em terras privadas, frequentemente detidas por proprietários pobres que tendem a cortar árvores a taxas ainda mais elevadas. Tudo porque a madeira tem grande valor para serrações e para transformação em carvão. Depois, a terra limpa também pode transformar-se em terrenos agrícolas e ser uma nova fonte de rendimento.

“É crítico descobrirmos como lidar com as alterações climáticas”, diz Seema Jayachandran, economista da Northwestern University, nos EUA. “Concentramos-nos na maioria das vezes em programas ambientais para combater o aquecimento global no nossos países, o que é importante, mas esquecemos o grande potencial dos países em desenvolvimento”, diz a co-autora do estudo realizado em parceria com Joost de Laat, especialista em pobreza da ONG holandesa Porticus.

Esta economista alerta para o facto de que há muitas áreas e regiões do mundo em desenvolvimento que podem ser preservados e que nestes locais as medidas de conservação são muito mais baratas para obter resultados comparáveis ​​aos das acções implementadas num país rico. Para testar essa ideia, uniram-se à ONG americana Innovations for Poverty Action e à Sanctuary and Wildlife Conservation Trust (organização para a protecção dos chimpanzés) e a especialistas da Universidade de Stanford, na Califórnia. Em conjunto, seleccionaram aleatoriamente proprietários de terrenos florestais de 121 aldeias do Uganda e dividiram-nos em dois grupos. Ao primeiro ofereceram o equivalente a 28 USD por ano e por hectare de floresta com o objectivo de deixarem intactas as terras durante dois anos. Enquanto o outro grupo de moradores das aldeias continuou a gerir os seus terrenos como de costume.

No final da experiência, utilizaram imagens de satélite de alta definição, com capacidade de mostrar ao detalhe cada árvore, para comparar as terras dos dois grupos. Os resultados foram conclusivos: o grupo que recebeu dinheiro tinha mais 5,5 hectares de floresta do que o grupo que não havia recebido qualquer incentivo. No total, esta área equivale a menos 3.000 toneladas de CO2 emitido para a atmosfera e a um custo de apenas 0,46 USD por tonelada nos dois anos de duração da experiência.

“Este é o primeiro estudo experimental do género e serve para mostrar não só a eficácia desta abordagem, mas também seu baixo custo”, diz Annie Duflo, da Innovations for Poverty Action. Segundo a responsável pela ONG, esta experiência será importante para orientar futuros programas de conservação nos países em desenvolvimento, “para melhor combater as alterações climáticas, protegendo habitats ameaçados e ajudar os agricultores pobres.”

Foto: Creative Commons

 

Como transportar uma árvore?

Mäyjo, 22.01.17

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EMPRESA AUSTRALIANA CRIA ENGENHO QUE RECOLOCA ÁRVORES SEM AS MATAR

A empresa ArborCo, sediada na cidade de Melbourne, a sul da Austrália, que se especializa no tratamento e transplantação de árvores, criou recentemente um engenho que recoloca árvores sem as matar.

 

Em associação com a VicRoads – empresa do estado australiano de Victoria que planeia, desenvolve e administra a rede de estradas -, a ArborCo começou a transplantar árvores como parte de obras entre duas estradas em Berwick, um subúrbio da cidade de Melbourne.

Para tal, a ArborCo utiliza um camião com equipamento especial para cavar e retirar árvores sem danificar as suas raízes, para depois as transportar de forma segura para o seu novo local. De forma rápida e eficaz, e sem agredir o ambiente, tudo fica resolvido.

Este tipo de maquinaria é capaz de evitar o corte de muitas árvores, que muitas vezes acabam por ser derrubadas para a realização de obras devido à impossibilidade de serem transportadas para novos locais.

O transplante de árvores é realizado quando as árvores maduras crescem e ficam inadequadas no local em que estão. A ArborCo transplanta as árvores de todas as idades e tamanhos, podendo também adquirir árvores maduras para novas funcionalidades ou paisagismo.

A equipa da ArborCo realiza todos os aspectos das operações de transplante de árvores maduras, o que requer conhecimento especializado em arboricultura, bem como experiência, habilidade e equipamentos que poucas pessoas possuem.

 

QUERCUS DENUNCIA DESTRUIÇÃO DE FLORESTA MEDITERRÂNICA NO CONCELHO DE TOMAR

Mäyjo, 05.01.17

sobreiro_SAPO

A Quercus denunciou a destruição de uma área de floresta mediterrânica dominada por um sobreiral, onde existem também carvalhos, medronheiros e aroeiras, entre outras espécies, em Porto de Cavaleiros, no concelho de Tomar, distrito de Santarém.

 

Em comunicado, a associação indica que desmatação ocorreu no limite do Sítio Sicó-Alvaiázere, inserido na Rede Natura 2000, próximo do rio Nabão, numa área com cerca de 10 hectares alvo de um incêndio em 2008.

Os ambientalistas alertaram o Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente da GNR, do comando de Santarém. No local, os militares confirmaram a presença de duas escavadoras giratórias “a fazer a destruição do cobro vegetal” sem o respectivo licenciamento.

A Quercus indica ainda no comunicado que as escavadoras estavam a arrancar a “vegetação mediterrânica, incluindo diversos sobreiros jovens com alguma dimensão, o que indica ser uma acção ilegal, para conversão num novo eucaliptal”. A associação acrescenta que solicitou ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas informação sobre se autorizou alguma ação, incluindo a arborização com eucalipto na área em questão.

“A Quercus espera atuação firme das autoridades para impedir a destruição das últimas áreas de floresta mediterrânica desenvolvida na área, onde ocorrem espécies protegidas, evitando o aumento descontrolado da expansão de novos eucaliptais”, lê-se ainda no comunicado.

BRASIL RATIFICOU ACORDO DE PARIS MAS CONTINUA A DESFLORESTAR A AMAZÓNIA

Mäyjo, 30.12.16

Desmatamento em Roraima

Apesar de ter ratificado o Acordo de Paris, que visa reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, o Brasil aumentou a taxa de desflorestação da Amazónia. Em relação ao ano passado, a área desbastada no pulmão do planeta cresceu.

 

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais a desflorestação na Amazónia, no período de Agosto de 2015 à Julho de 2016 foi de 7989 km², 29% maior que em idêntico período no ano anterior.

Esta destruição libertou para a atmosfera, segundo cálculos do mesmo instituto, 586 milhões de toneladas de carbono equivalente, ou seja, o mesmo que oito anos das emissões de todos os automóveis que circulam no Brasil.

Com este comportamento o Brasil distancia-se das metas estabelecidas pela última cimeira do clima patrocinada pela ONU e contraria a evolução que estava a ser seguida, no sentido de reduzir o desmatamento da Amazónia. Na verdade é a primeira vez, em 12 anos, que o desmatamento na maior floresta tropical do planeta apresenta aumento consecutivo.

Foto: Greenpeace Brasil / Creative Commons

REFORMA FLORESTAL: O QUE ESPERAR NO FUTURO?

Mäyjo, 27.12.16

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Para o ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Luís Capoulas Santos, a reforma da floresta não pode ser encarada como uma “solução imediatista”, devendo-se procurar medidas que possam ser aplicadas nas próximas décadas.

 

“Queremos dar o primeiro passo daquilo que sabemos que é um percurso que temos de percorrer nas próximas décadas, daí o esforço genuíno para conseguirmos o máximo de consenso possível para que o que consigamos construir agora não venha a ser desmantelado por qualquer Governo que suceda daqui a três, quatro ou cinco anos”, declarou Capoulas Santos durante a conferência “Visões para uma Floresta de Futuro”, no Porto.

Apostar na conservação dos ecossistemas e dos recursos naturais, para garantir uma floresta “adaptada à futura sociedade e resiliente às mutações ambientais e socioecómicas” é uma das metas quando se fala numa ideia de floresta para o futuro. Para conseguir esta mudança, Capoulas Santos defende que a reforma em curso quer eliminar alguns dos principais entraves à sustentabilidade da floresta em Portugal, entre eles a gestão activa e profissional e o ordenamento do território.

“Para a gestão é preciso criar estímulos e incentivos para que seja atractivo gerir a floresta e isso só acontecerá se houver rentabilidade, mas a rentabilidade e atracção de capitais existe se houver minimização dos riscos”, salientou o ministro da Agricultura.

Capoulas Santos defende assim que “a prevenção estrutural, na área da defesa da floresta contra incêndios, apresenta muitos exemplos de oportunidades de melhoria na eficiência de utilização de recursos, sobretudo no que respeita à gestão das continuidades de combustível”, considerou.

Foto: Domingos Moreira / Creative Commons